Com avanço na performance, setor têxtil apresenta novas categorias de trabalho

Mudanças no mercado oferecem oportunidades aos empreendedores que buscam crescer no ramo. Além da personalização dos produtos, o dropshipping também é uma tendência que merece atenção

“Inovação” e “reinvenção” são palavras que Felipe Simeoni, gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da Global Química & Moda, utiliza para caracterizar o último ano do ramo têxtil. Passados mais de 15 meses desde o início da crise sanitária que assolou o globo, o setor passou de um segmento fortemente afetado a um mercado que apresentou performance de 36,3% de crescimento de janeiro a maio de 2021, segundo dados do Radar Abit, divulgados em julho. “Todo o mercado precisou se reformular, mas os empreendedores têxteis ganharam destaque pela resiliência e agilidade na tomada de decisão. Vimos a digitalização, que já caminhava para o cotidiano da indústria, tomar os negócios e este foi um incrível avanço para o incremento do setor”, diz.

Com o fomento às ferramentas eletrônicas, o diálogo entre compradores e vendedores se tornou mais facilitado. Esse movimento do mercado abriu espaço para a adesão de novos modelos de trabalho e de negócios. Uma das fortes tendências apresentadas no ramo da moda é a personalização das peças, onde o consumidor participa ativamente do processo de criação, moldando vestimentas ao seu gosto, personalidade e estilo. 

Simeoni cita que desde o último ano, as pessoas desenvolveram uma carência na proximidade, fazendo com que os produtores focassem sua atividade na exclusividade. “Os produtos da moda são mais do que uma peça, eles refletem o que a pessoa é e o que ela pretende mostrar para o mundo. Em um contexto de isolamento, demonstrar sua opinião, sentimentos e necessidades, bem como sentir que está sendo atendido, se tornou mais do que uma demanda, mas sim uma necessidade urgente do consumidor, que passou a opinar de forma mais consciente sobre como e o que pretende receber”, explica.

Com a nova parcela de consumidores que migrou para o ambiente virtual, empresas puderam alavancar suas vendas baseadas em novos modelos de trabalho, como o “Just in Time” e o “dropshipping”, que fomentam a realização de vendas antes mesmo da produção. 

Os termos, ainda que novos para o mercado brasileiro, já são adotados internacionalmente, apresentando cases de sucesso como o da Amazon, com mecanismos que permitem ao empreendedor mitigar os riscos e as perdas financeiras de seu negócio. 

Com as estimativas da Abit de um crescimento de 25% nas vendas de artigos de vestuário ainda neste ano,  Felipe explica que estas são oportunidades que dão estímulo à competitividade do setor, por permitir que diversos novos empreendedores passem a enxergar o têxtil como uma opção interessante. “O digital é inegavelmente o futuro de todos os mercados e para a impressão digital não é diferente. A automação nesse cenário vem acompanhada de máquinas cada vez mais modernas e inteligentes, que permitem produções que acompanhem o ritmo de vendas e ainda reduzem custos, fazendo com que os processos das estampas sejam mais eficientes. Dessa forma o empreendedor passa a despender mais tempo da sua atuação para o alinhamento com o cliente”.

Ele também ressalta que, além dos benefícios como a flexibilidade, ampliação do mix de produtos e fomento à competitividade no setor, tais práticas também impulsionam conceitos como o de ESG, que aborda a sustentabilidade em níveis ambientais, sociais e de governança. Dados da Abit demonstram que anualmente 170 mil toneladas de resíduos têxteis acabam sendo descartados no lixo comum, tornando a indústria da moda uma das mais danosas ao meio ambiente.

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