Inovação e impressão digital: as mudanças enfrentadas pelo mercado têxtil brasileiro

Por Felipe Simeoni, gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da Global Química & Moda

A aceleração digital e a chegada de um novo perfil de consumidor, cada vez mais preocupado com o impacto ambiental e social daquilo que compra, tem impulsionado na moda novas práticas de produção. Se antes a produção em massa, com um alto nível de desperdício na ponta da cadeia têxtil, era tido como algo normal e passível de aceitação, um custo a ser pago para o desenvolvimento do fast fashion, hoje a prática é cada vez mais questionável.

E neste contexto, crescem no mercado novas práticas de produção, que não só alteram toda a cadeia industrial como também desafiam profissionais e incutem no cliente final o consumo alinhado à digitalização. Um exemplo é a popularização da impressão digital, que de acordo com estudo da Keypoint Intelligence, deve colocar no mercado, entre 2017 e 2022 12 mil novos dispositivos para aplicação da técnica no mercado têxtil e de decoração. Estas impressoras devem representar 4 bilhões de metros de tecidos estampados digitalmente.

Além de trazer cores mais vívidas através de processos em inovação constante, a impressão digital também é considerada uma das tendências do têxtil por outros fatores. Destacam-se, por exemplo, a produtividade, já que o processo automatizado resulta em ganhos de tempo e de qualidade no resultado final; redução de desperdícios, especialmente na comparação de técnicas artesanais em que boa parte das tintas utilizadas acabam não sendo bem aproveitadas; e possibilidade de produção sob demanda, reduzindo consideravelmente o desperdício no processo final, quando muitas peças saem do estoque para o descarte.

Enquanto no processo tradicional de impressão um grande volume de peças precisaria ser desenvolvido para se garantir o lucro da empresa, na impressão digital a produção sob demanda evidencia que a tecnologia é o melhor caminho para a produção sustentável e, ainda assim, lucrativa. A alta velocidade de impressão, com processos limpos e aproveitamento de matérias-primas, crescem consideravelmente quando a automação passa a fazer parte da rotina das empresas.

Outra questão que impulsiona a digitalização do têxtil é o novo perfil do consumidor, cada vez mais preocupado com a qualidade e durabilidade daquilo que compra, além de buscar peças com mais identidade e que reflitam seus gostos pessoais. A personalização nunca esteve tão em alta na moda e desafia grandes magazines a se reinventarem, aplicando em suas lojas e linhas de produção conceitos que garantam a lucratividade em produções de peças exclusivas, com custo-benefício atrativo ao consumidor.

Além disso, a sustentabilidade como um dos destaques no estilo de vida da geração Z já chegou à linha de produção. Pesquisas como a da DoSomething Strategic mostram que mais de 75% dos jovens da geração Z consideram consumir produtos de marcas que apoiam causas em comum com seus estilos de vida, como as que são socialmente e ambientalmente responsável. E 65% deles boicotariam marcas despreocupadas com estas questões. Já um levantamento da Cone Communications mostrou que 30% da geração Z se preocupa com os impactos de questões como pobreza e meio ambiente no desenvolvimento econômico.

Ou seja: é impossível atuar com sucesso sem levar em consideração os impactos que um público que só em 2018 teve mais de US$ 3,4 trilhões em poder de compra pode trazer para os negócios. e neste contexto, a impressão digital, que prioriza a produção mais eficiente, rápida e com uso consciente de recursos, engloba a estratégia de marcas têxteis inovadoras. O crescimento da técnica é evidente em todo o mundo, anualmente, com a expectativa de atingir 4 bilhões de metros quadrados em 2022.

Roupas confeccionadas conforme a necessidade já não são mais um desafio para quem aposta em digitalização. Menos estoque e mais lucratividade fazem parte deste novo momento do segmento, que, mais do que nunca, transforma os recursos digitais em investimento para competitividade e fortalecimento dos negócios. digitalizar é, no fim das contas, o caminho mais seguro e eficiente para que marcas sigam em evidência neste novo mercado consumidor.

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