Sem feiras presenciais, empresas recorrem a novos formatos para se conectarem com o consumidor

Segundo dados do site Feiras do Brasil, houve uma redução de 35% no número de feiras projetadas para ocorrerem no Brasil em 2020: esperava-se a realização de 3.850 eventos em território nacional durante o ano, mas 1.779 foram cancelados e 413 adiados. No entanto, novas feiras surgiram, e, ao todo, foram realizados 2.441 eventos. Destes, 1.843 (aproximadamente 75%) foram no formato digital e 598 presenciais.

Enquanto a pandemia não permite a realização de grandes eventos – muitas vezes no centro da estratégia de crescimento, lançamentos e aproximação com o consumidor em muitas empresas – os negócios que apostam nestes formatos tentam se reinventar. Além dos modelos digitais de agendas já tradicionais em segmentos como o têxtil e o de decoração, algumas marcas investem em iniciativas próprias para pulverizar informações e vendas.

O Grupo Linear, por exemplo, empresa pioneira em sistemas de escoamento no país com sede em Blumenau (SC), participa todos os anos da Expo Revestir, maior feira de acabamentos da América Latina. Foi lá que a marca passou a ganhar destaque nacional e até mesmo fomentar o interesse de países vizinhos. Hoje os ralos de alto padrão da empresa estão em oito países da América Latina e a Expo Revestir sempre foi a agenda de destaque do calendário. O Grupo concentrou nesse evento a divulgação de seus lançamentos anuais. Em 2021, quando a Expo Revestir será totalmente digital (o evento ocorre de 23 a 26 de março), o desafio será engajar o consumidor – arquitetos, principalmente, sem a opção de poderem tocar as peças. A diretora-executiva do negócio, Regina Montandon, comenta que foi preciso estudar a forma mais assertiva de atingir o visitante, considerando o fato de que ele não poderá ter contato físico com os produtos durante a feira. 

A Delta Máquinas Têxteis, companhia brasileira especializada em produtos para a automação da produção têxtil (com sede em Pomerode – SC) participou recentemente da Colombiatex. A feira internacional este ano foi 100% online e reuniu empresas, profissionais e especialistas do mercado têxtil. Para Fábio Kreutzfeld, CEO da Delta, o evento trouxe oportunidades importantes para os negócios: foi possível manter o relacionamento com o mercado, realizar prospecção e ter contato com o que há de inovação para o setor. Ele destaca ainda o custo-benefício do evento online: o formato permite o investimento em diversos eventos no comparativo com uma feira presencial, pois não implica em custos de logística, hospedagem e outros fatores. No entanto, Fábio lembra que ainda é desafiador manter o engajamento e até mesmo o formato desse modelo de evento. Para a Delta Máquinas, um dos atrativos que ainda impacta negativamente o processo online é a visualização do equipamento in loco, fator competitivo que o formato presencial garante.

Reinvenção exige esforço extra das marcas 

E se as feiras digitais esbarram no engajamento que só o contato pessoal proporciona, o jeito foi aliar as agendas digitais com eventos de pequeno porte. No Grupo Linear é o Road Show que cumpre esse papel. A van da empresa, equipada com um showroom móvel, percorre todo o país e realiza treinamentos pontuais para vendedores de lojas parceiras, arquitetos e outros profissionais do setor. “O projeto é um fortalecimento importante para que as pessoas vejam de perto os lançamentos e tirem suas dúvidas sobre os produtos”, destaca Regina, que recentemente organizou junto com a equipe de marketing a primeira convenção de vendas 100% digital da empresa.

Já a Global Química & Moda (GQM), que também atua no ramo têxtil no segmento de insumos e maquinários para impressão digital, sentiu bastante os cancelamentos e adiamentos das feiras que iria participar em 2020. Para suprir a vitrine que esses eventos são, passou a desenvolver seus próprios eventos digitais dentro da plataforma própria da empresa, com projetos como as lives do “Digital Têxtil Brasil”, a Live #BoraEstampar, além do investimento em forma de patrocínio em outras iniciativas que buscam discutir e informar sobre o setor têxtil. Felipe Simeoni, gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da marca, diz que os projetos foram impulsionados pelo Conecta, plataforma de streaming criada pela empresa para alavancar as lives e compartilhar os conteúdos, regados a debates com profissionais de referência no setor, com seu público.

Ainda no têxtil, outra iniciativa recente desenvolvida pelo jornalista Henri Kanj e com apoio de marcas como Brand Têxtil e Epson do Brasil, é o Têxtil Show. O talk show transmitido via Youtube tem episódios semanais e recebe convidados que possuem ampla expertise no setor, para discutir o futuro do mercado. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção, Fernando Pimentel, foi o primeiro convidado. “O setor têxtil brasileiro tem um potencial incrível, são mais de 25 mil empresas em todo o país. Fomentar a troca de experiências e dar destaque para as iniciativas do segmento é primordial para a retomada do crescimento e o nosso projeto foi criado com uma pegada que valoriza muito as ferramentas digitais, tão fortes neste momento”, reforça Kanj.

A percepção do jornalista não é empírica. O mercado de eventos digitais realmente se tornou um forte aliado dos negócios: segundo a plataforma Eventbrite, a realização desse tipo de agenda cresceu 80% em 2020.

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